Projeto Carbono


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Terra da Gente - 1º Projeto de Carbono Florestal

Emas-Taquari efetuará a remoção de 207 mil toneladas de CO2

18/01/2011 - 11:49

O projeto de carbono do Corredor da Biodiversidade Emas-Taquari, localizado nos municípios de Mineiros (GO), Alcinópolis (MS), Costa Rica (MS) e Chapadão do Sul (MS), vai reflorestar com mudas nativas do Cerrado quase 600 hectares de mata, removendo da atmosfera 206.114,60 toneladas de CO2 equivalente (um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 equivalente). O projeto tem um raio de atuação de 200 quilômetros.

Um terço desses créditos já foi comprado pela empresa Natura Cosméticos S/A. O projeto acabou de receber também a certificação do Voluntary Carbon Standard (VCS), reconhecida como uma das mais criteriosas no mundo em termos de padrões de mensuração de carbono. Além disso, o Corredor da Biodiversidade Emas-Taquari foi certificado no padrão Climate, Community and Biodiversity (CCBS), o que significa que além de atender a critérios climáticos também produz benefícios à comunidade e biodiversidade local. Neste último quesito, foi contemplado no nível gold, que significa ganhos excepcionais à biodiversidade.

Para entender onde (e a importância) desse projeto, as áreas escolhidas nos quatro municípios são estratégicas para restaurar a conectividade de remanescentes florestais entre o Parque Nacional de Emas e Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari. Dessa maneira, o corredor ecológico de biodiversidade garantirá também a conservação de recursos hídricos, a recuperação de passivos ambientais e a possibilidade de trocas genéticas da fauna e flora do Cerrado na área comum da reserva.

Para Renato Alves Moreira, integrante da ONG Oreades e coordenador do projeto, “a iniciativa promoverá benefícios ao clima, à sociedade e à biodiversidade no Cerrado, compartilhando a riqueza de serviços ambientais desse bioma com todo planeta.” Muitas parcerias foram feitas também com as comunidades locais de baixa renda. São 25 famílias de assentamentos e outras 20 de famílias quilombolas, além de 35 pessoas de uma comunidade terapêutica para tratamento de ex-dependentes químicos.

Segundo Artur Paiva, coordenador de serviços ambientais da CI-Brasil, “essa era uma região de fronteira agrícola, que cresceu muito a partir de meados da década de 1980, com o tamanho médio das fazendas em torno de mil a dois mil hectares, onde todo o Cerrado era derrubado para plantio”. Mas com o projeto, diz, “eles perceberam que podem fazer outro tipo de atividade em suas propriedades sem necessariamente destruir a mata nativa – sendo o grande benefício a eliminação do passivo ambiental.”

Em outras palavras, “as comunidades envolvidas têm a oportunidade de obter renda pela coleta de sementes, pela produção e venda de mudas e de outros produtos obtidos com as plantas preservadas do Cerrado, como a castanha do baru”, explica Paiva.

Para Maurício Voivodic, secretário-executivo do Imaflora, instituição que fez a auditoria de certificação do projeto, esta é uma iniciativa de extrema relevância ambiental e social à medida que propõe restaurar áreas degradadas em parceria com populações de baixa renda. “Por ser o primeiro projeto no Brasil de carbono florestal a receber a certificação do VCS, ele abre portas para que outras iniciativas sejam feitas no País”.

Fonte: Terra da Gente